Wilson Simonal em capa de discoSe você têm mais de 30 anos, certamente já ouviu falar em Wilson Simonal. Ele foi um grande nome da música brasileira e, no seu auge, só não era mais conhecido que Roberto Carlos – ainda hoje tido como “rei”. Essa face amável, por sua vez, pode acabar cedendo espaço em determinados momentos de sua vida, a um Simonal de valores éticos duvidosos. Até mesmo envolvido diretamente com a ditadura ele esteve!

Conta-se de um episódio ocorrido em 1971, quando Simonal desconfiou que seu contador estava passando-o pra trás e roubando-o sem o menor remorso. A atitude de Simonal foi a menos esperada para uma estrela da música: mandou darem uma surra no bendito do contador. Um detalhe crucial: a surra foi dada por dois agentes do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), um serviço público da ditadura militar que tinha como especialidade torturar e/ou matar aqueles que eram contrários à mesma – ou os que inclinavam a ser.

Wilson SimonalTudo isso e muitos outros detalhes de sua biografia estão no documentário Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei, primeira obra do cinema a contar a vida do controverso Wilson Simonal depois de sua morte em 2000. O longa é assinado por ninguém menos que o humorista Cláudio Manoel, do grupo Casseta & Planeta, além também de Micael Langer e Calvito Leal. Manoel, que começou o projeto em 2002, enfrentou muita má vontade das pessoas para conseguir filmar o filme. Uns, não sabiam quem era Wilson, outros, não queriam que essa história viesse novamente a tona depois de tanto tempo.

Mas, indubitavelmente, quem mais foi prejudicado com a surra no contador foi o próprio Simonal. Mário Borges, que naqueles tempos era inspetor, acabou contando à polícia que Simonal era informante do famigerado Dops. O povo, obviamente, não gostou nada dessa história e, por isso, acabou por jogar o antes cantor de multidões no limbo do esquecimento. Além disso, Simonal pegou mais de cinco anos de cadeia em virtude do episódio, mesmo tendo alegado que pediu ajuda ao Dops pois vinha sofrendo ameaças terroristas.

Cláudio Manoel: um dos ilustres diretores do documentárioRaphael Viviani, o contador, pivô de toda essa história, foi procurado pelos diretores do documentário, e sua posição foi categórica: os agentes do Dops o torturaram com choques elétricos e ele só assinou a confissão de roubo – que ele jura não ter praticado – quando sua família foi ameaçada.
Muita história se desenrola na vida de Simonal, até que em 2003 – três anos após sua morte – Simonal é inocentado das acusações pois sua família alegava não haver nenhuma prova de seu real envolvimento com a ditadura.
Já era tarde. Pior que a própria morte, Simonal havia ganhado o repúdio e o esquecimento daqueles que ainda se lembravam dele.

O documentário estréia dia 29/03, sábado, no festival It’s All True – É Tudo Verdade, e dias depois será exibido no Rio de Janeiro. É sem dúvida uma história cheia de teorias e reviravoltas que vale a pena conferir.

Autor: Helton

Postado em Terça-feira, Março 25th, 2008 as 4:13 am.
Categorias: Documentários.

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