O Orfanato
Confesso que quando o filme foi lançado não me chamou muita atenção, por mais que fosse uma obra de Guillermo del Toro, que fez Hellboy e o Labirinto do Fauno. Pra quem não sabe Guillermo é Mexicano, e O Orfanato foi rodado na Espanha, mas especificamente em Barcelona, em espanhol com atores espanhóis. Aqui o filme fez bastante barulho (moro na Espanha).
O maior prêmio que se pode conseguir por aqui é o Goya, e claro, O orfanato estava indicado para melhor filme e estranhamente perdeu o premio para ‘La Soledad’. Quando eu soube da notícia não dei muita importância, mas depois de ter visto os dois filmes me deparei com a realidade artística de sempre. Em minha opinião ‘La soledad’ é chato e demasiado artístico até mesmo para os mais cinéfilos. Tentam ser bastante realistas e em certo ponto conseguem, porém com uma produção e estilo de filmagem cansativa, em alguns momentos ruins. Basicamente os editores optaram por usar o efeito de câmera estática, cada cena só se via de um único ângulo, e outro recurso muito usado (quase o filme todo) é o de colocar duas cenas ao mesmo tempo, dividindo assim a atenção e literalmente a tela.
Já O orfanato vem com características muito conhecidas no cinema Hollywoodiano, devido ao fato do diretor já ter trabalhado muito por ali, quando vi o trailer pensava que seria apenas mais um filme de suspense com fantasmas e uma casa assombrada, mas eu felizmente me enganava, o filme surpreende em qualidade, seja visual, diálogos e até mesmo na quebra de alguns tabus do gênero. Figurando assim o lugar de melhor filme visto por mim, produzido e feito na Espanha.
Idéia geral do filme;
Laura vivia em um orfanato quando criança, mas não demorou muito para que fosse adotada. Passado muitos anos retorna ao seu antigo lar com seu marido e seu filho único. A idéia da família é construir um lar para deficientes físicos e também viver na casa ajudando a cuidar das crianças deficientes. Depois de estranhos acontecimentos seu filho é dado por desaparecido, após 6 meses de busca sem sucesso, coisas cada vez mas estranhas começam a acontecer na casa.
Vamos ao que interessa;
As atuações do filme estão impecáveis, efeitos visuais no estilo mais típico de Hollywood, nesse quesito não se preocupe o filme vale a pena de ser visto. O roteiro é bom, até mesmo surpreende em alguns momentos, mas não assusta -tudo bem que eu sou meio sangue frio né - O filho é peça chave, quando ele começa a mostrar seus sintomas de ‘estranheza’ nós (que estamos vendo) já vamos maquinando o que pode acontecer na próxima cena. Felizmente, é um pouco difícil de adivinhar, por mais que o filme tenha se alimentando dos mais variados filmes de suspense, alguns dos clichês não estão presentes, pelo menos (se estão) de forma diferente. A trama se desenrola facilmente, e quando menos se espera já esta no seu ponto máximo, a forma com que tudo vai se resolvendo (ou se complicando) é fácil de acreditar, e não causa nenhuma estranheza, sem dúvida com um ótimo desfecho.
Spoilers
Um dos destaques do filme ( na minha opinião ) é a cena em que Laura chama uma paranormal para visitar sua casa, bem engenhosa, com efeito de câmera noturna, vários aparatos tecnológicos estranhos, eles fazem uma espécie de regressão espiritual onde a médium consegue ver a casa tal como era, e os espíritos que ali habitam, sem dúvida uma das melhores cenas, que dá arrepios.
Tá ai, O orfanato, uma obra que conseguiu sair do habitual cinema espanhol, isso mesmo, o cinema espanhol tem o mesmo problema que o Brasileiro vem tendo há anos, filmes que falam da política, pobreza e coisas características do país, com algumas exceções que apenas se aplicam ao ramo da comédia. Dessa vez conseguiram uma história que poderia acontecer em qualquer país, sem nenhuma pretensão política, é um filme de suspense, feito para passar alguns bons momentos no cinema ou no DVD da sua casa.
Nota: 8/10









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