Na sexta-feira o Brasil tem a estréia nacional de “Elizabeth – A Era de Ouro” de Shekar Kapur, continuação do filmaço de 1998 que apresentou Cate Blanchett ao mundo e lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Pois a Rainha Elizabeth que Blanchett reprisa nas telas a partir de sexta é uma ilustre convidada especial da sétima arte, e não é de hoje. Considerada a maior soberana que já dirigiu a ilha famosa, Elizabeth sempre atraiu o cinema. Blanchett não é a primeira grande atriz a envergar a cabeleira ruiva e a maquiagem branca da Rainha Virgem, apesar de ser, para muitos, a encarnação ideal e definitiva – o tipo de afirmação perigosa, afinal, quem diz isso viu, por exemplo, a performance de Sarah Bernhardt como a rainha?

Sarah Bernhardt, mítica atriz de teatro que flertou com o cinema, é dona do primeiro retrato da Rainha Elizabeth nas telas. Bernhardt viveu em outra era famosa, a Era Vitoriana – da Rainha Vitória – do começo do século XX. Em 1911, interpretou Elizabeth em “Os Amores da Rainha Elizabeth”, também chamado, simplesmente, “Rainha Elizabeth”, no tempo em que a gramática do cinema ainda engatinhava. Originalmente uma produção francesa, contava um dos lados mais explorados da vida da rainha: seu relacionamento com Robert Devereaux, conde de Essex.. O filme em questão foi uma das mais bem sucedidas aparições de Bernhardt nas telas ( e um dos poucos disponíveis em vídeo no exterior da grande estrela do teatro ).
Blanchett também não é a única que teve a honra de reprisar o papel. Flora Robson interpretou Elizabeth em duas ocasiões. No caso, a aparição da Rainha complementa apenas o pano de fundo para duas histórias de aventura e piratarias típicos dos anos 40. “Fire Over England” ( 1937 ) trazia no elenco nomes como Laurence Olivier. Três anos depois, “The Sea Hawk” ( 1940 ) reprisa a mesma época que será vista nos cinemas a partir de amanhã, quando um aventureiro parte em missão para destruir os recursos espanhóies no Panamá, usados para construir sua Grande Armada. Quem envia o herói, claro, é a Rainha reprisada por Robson. No elenco, Claude Rains e o astro Errol Flynn.

Se Flora Robson não tem o mesmo carisma de Bernhardt, o mesmo não pode se dizer de Bette Davis, que em 1939 também fez a primeira de suas duas aparições como Elizabeth. The Private Lives of Elizabeth Essex (1939) retoma o assunto do romance entre a Rainha e Robert Dudley,conde de Leicester, mas com uma carga de intensidade maior proporcionada pelo talento da grande atriz. Errol Flynn encarna o conde, num papel menos aventuresco, mas com uma bela tensão entre os dois intérpretes.
O filme de Kapur também bebe na fonte de outra produção que contou com Bette Davis, agora de 1955, “The Virgin Queen”, mostrando a influência e a admiração que Walter Raleigh ( Richard Rodd ) desperta na Rainha, e a relação entre Raleigh e uma das damas da corte da Rainha, Bess Throckmorton, vivida por uma jovem Joan Collins.
Uma das mais poderosas manifestações de Elizabeth nas telas veio através de Glenda Jackson, em 1971, em uma minisérie de 6 capítulos da BBC Britânica, “Elizabeth R.”, performance que valeu a ela um retorno ao papel em um filme sobre outra soberana contemporânea e inimiga de Elizabeth, “Mary, Rainha da Escócia” ( 1971 ) onde Vanessa Redgrave interpreta a personagem título.

Há também as contemporâneas. Em 1998, não foi apenas Cate Blanchett que brilhou no papel de Rainha Virgem em “Elizabeth”. Judy Dench encarnou a soberana quase aos 60 anos na comédia “Shakespeare Apaixonado” com dignidade, mas sem grande dificuldade para compor o papel num plano mais leve e sem aprofundamento. Muito diferente da intepretação de Anne Marie Duff na minisérie “A Rainha Virgem” de 2005, em uma performance que para muitos é comparável à de Glenda Jackson em 1971. A crítica igualmente saúda a minisérie como a mais realista representação da vida da monarquia na época. Sinceramente, não tive a oportunidade de assistir.
Já “Elizabeth I” de 2006 rendeu bela repercussão para Helen Mirren no papel da Rainha Virgem, em um ano em que outra Elizabeth, a atual, lhe valeu um Oscar. Na mini-série Mirren divide espaço com Jeremy Irons no papel de Robert Dudley. O que ninguém, entretanto, pode tirar de Blanchett, é um feito que nenhuma outra intérprete, Bette Davis, Glenda Jackson, Helen Mirren ou Sarah Bernhardt, conseguiram, num inédito no cinema: Blanchett conseguiu ser indicada ao Oscar nas duas oportunidades em que interpretou a mesmo personagem, feito que já seria suficiente para o famoso discurso de Tilbury se repetir no dia 24, na entrega do prêmio. É difícil que venha a acontecer, mas vencer a Invencível Armada Espanhola também era, em 1588…

Nota: outras atrizes que também deram vida à Elizabeth nas telas: Ellen Compton ( 1923 ), Florence Eldridge ( 1936 ), Athene Seyler ( 1935 ), Irene Worth ( 1962 ), Judith Anderson ( 1968 ), Quentin Crispen ( 1992 ), Miranda Richardson ( 1986 ), Anne Marie Duff , Imogen Slaughter and Helen Baxendale.
A crítica, claro, você confere aqui no sábado.









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Willian Mendes
Fev 14th, 2008
Reply to “Especial: Elizabeth no Cinema”