
Como reagirão os europeus ao Bope e à truculência do Capitão Nascimento? O mistério vai se dissipar em breve, mas uma coisa é certa, TROPA DE ELITE é diferente de todos os filmes exibidos até agora. Uma seleção fraquíssima e disforme sobre famílias disfuncionais e relações terminais. Vários filmes tratam desses temas, aos quais acrescentam uma perturbadora atração pelo abuso infantil.
Crianças foram seqüestradas e prostituídas em GARDENS OF THE NIGHT, de Damian Harris; o menino de JÚLIA, de Erick Zoncka, bolina a mulher bêbada e adormecida; e em FIREFLEES IN THE GARDEN, de Dennis Lee, a tia é totalmente consciente do desejo que desperta no sobrinho. Nenhum dos filmes citados é bom, mas o de Zoncka consegue ser o pior de todos. Como o talentoso diretor de A VIDA SONHADA DOS ANJOS, depois de 10 anos, retorna do ostracismo com uma bomba dessas? Ele admite que se inspirou em GLÓRIA, de John Cassavetes, mas perdeu o foco ao contar a história desta mulher autodestrutiva - interpretada por Tilda Swinton - que seqüestra um garoto para reaproximá-lo da mãe.
O mexicano LAKE TAHOE, de Fernando Eimbcke, parece que não tem história - um jovem sofre um acidente de carro e anda atrás de uma oficina mecânica, envolvendo-se com várias figuras -, mas é um filme de autor, e radicalmente novo, em que todos estes episódios, aparentemente desconexos, se articulam para elaborar a dor da perda. O carro é o de menos. O garoto perdeu o pai e isto fragilizou a vida familiar.
Berlim confere ainda hoje, mais dois filme em competição (entre 21 longas): O alemão KIRSCHBLÜTEN - HANAMI (”O Desabrochar das Cerejas” em tradução livre), de Doris Dörrie, uma tragicomédia sobre a vida amorosa de um homem, e o chinês SPARROW (”Pardal”), de Johnnie To, sobre jovens delinqüentes. Sim! Mais crianças perdidas…
Por Luiz Zanin Oricchio (Estado), Silvana Arantes (Folha) e Agências Internacionais









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